80 anos da morte de Henrique Lage

80 anos da morte de Henrique Lage

Categoria: Materia

Há 80 anos, completados nesta sexta-feira, 2 de julho, morria o idealizador do Porto de Imbituba (SC). Empreendedor apaixonado e praticante de canto lírico, natural do Rio de Janeiro, Henrique Lage dedicou um terço de sua vida ao desenvolvimento do sul catarinense. Sua vida daria um lindo filme.

Por Imara Stallbaum

TENACIDADE DE UM EMPRESÁRIO INOVADOR

Há quem o compare ao barão e depois visconde de Mauá, o notável empresário, industrial, banqueiro, político e diplomata brasileiro, considerado um símbolo entre os empreendedores do Brasil no século 19. Henrique Lage nasceu em 14 de março de 1881, ainda na monarquia e a oito anos da proclamação da República, num tempo influenciado pela segunda revolução industrial. Tinha 28 anos quando o também brasileiro Alberto Santos Dumont fez o voo inaugural de 220 metros com o 14-Bis no campo de Bagatelle, em Paris, apresentando sua invenção, um avião experimental, à humanidade.

Estudou canto lírico e casou-se com a italiana Gabriela Besanzoni, a maior contralto do mundo na época. Apreciava a boa mesa, as melhores bebidas e era rico de nascença. Grande empreendedor, aportou em Imbituba, um simples povoado, por causa do carvão, o petróleo daquela época. Empreendedor visionário, logo percebeu que a indústria dos transportes marítimos estava intimamente ligada à produção carbonífera, para geração de energia nas caldeiras, e à construção naval. A cada inovação provocada por ele Imbituba foi percebendo o quanto era positivo ser palco para a criatividade empreendedora de um empresário genial como Lage que, durante um terço da vida, dividiu seu tempo entre Imbituba e o restante do Brasil.

Com a construção do molhe de proteção, dos escritórios e dos armazéns, o ancoradouro começou a ser transformado em um porto de fato. Na sequência, em 1922, foi mudada a razão social de Organização Henrique Lage para Companhia Docas de Imbituba (CDI). O engenheiro Álvaro Monteiro de Catão, já responsável pela direção da estrada de ferro Dona Tereza Cristina, tornou-se diretor do complexo portuário cujas atividades iniciaram em 1923. Dali em diante, os navios da Costeira, empresa de transporte marítimo doméstico, de sua propriedade, passaram a fazer escala normal e programada em Imbituba nas viagens de ida e vinda do Rio de Janeiro a Porto Alegre.

UM NOVO ELDORADO

Por conta da diligente dobradinha Lage-Catão, as novidades não pararam mais de acontecer no ainda bucólico distrito de Imbituba. Em 1923, foi fundada a primeira entidade de classe do lugar, o Sindicato dos Trabalhadores em Armazéns e Trapiches, operando nos serviços de carga e descarga portuária. Seguiu-se a construção de uma vila operária e a de um moinho para beneficiamento da farinha de mandioca e descascador de arroz, a fim de servir os exportadores do Sul do Estado.

Somando-se a isso, os funcionários do porto ganharam uma cooperativa onde podiam parcelar na folha de pagamento a compra de gêneros alimentícios, de tecidos, calçados, roupa de cama, banho e mesa, além de louças e perfumaria.

Na esteira do processo de melhoramento geral o porto recebeu modernas instalações para embarque mecanizado de carvão. Foi dotado ainda de um quebra-mar externo que garantiu, por vários anos, uma proteção às instalações existentes. Assim, gradativamente, chegou-se ao perfil do porto que foi inaugurado em novembro de 1941, já sem a presença de Lage, que falecera quatro meses antes.

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