Mel catarinense às vésperas de consolidar sua identidade

Mel catarinense às vésperas de consolidar sua identidade

Categorias: Materia, Formosa do Sul, Mel

O mel catarinense, já premiado cinco vezes em concursos internacionais como o melhor do mundo, em breve também terá uma identidade-imagem para apresentar, a exemplo do que o ocorre com o pão de queijo mineiro e o doce de leite argentino. Esse é o objetivo do recém-criado grupo envolvido com questões de mercado, fiscalização, valorização do pequeno produtor e que na próxima quarta-feira, 21/10, realizará sua segunda reunião virtual.

Coordenado pelo Sebrae de Santa Catarina – com a participação do Sebrae nacional –  o grupo é composto também pela Epagri e pela Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc). A entidade congrega 60 associações, representando todo o estado, com um total de 3 mil apicultores filiados.

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E é nessas associações que encontramos, em grande parte, a explicação de um fenômeno maravilhoso: o gradativo aumento da produção apícola estadual. A safra de 2019-2020, por exemplo, está acima da média e deverá superar as 6,5 mil toneladas. O resultado, de acordo com o chefe da Divisão de Estudos Apícolas da Epagri, Rodrigo Durieux da Cunha, tem relação com a escassez de chuvas.

– Com o tempo mais seco as abelhas podem sair das colmeias. Diminui a umidade do néctar, aumentando o rendimento no favo e as abelhas gastam menos energia para desidratá-lo – ensina o engenheiro agrônomo, lembrando que o sucesso da safra também deve ser atribuído ao trabalho de extensão rural qualificado e ao forte associativismo existente no setor.

Considerada uma das mais poderosas e produtivas entre as filiadas da Faasc, a Associação de Apicultores e Meliponicultores de Quilombo (AAMQ), no Oeste do estado, foi fundada em 1992 “por criadores de abelhas que agiam de forma isolada, no sistema cultural anterior trazido dos nossos ancestrais”, conta o professor Julcemar Francisco Toazza, presidente da entidade. Aos poucos recorda Toazza, formou-se um grupo de apicultores com objetivos em comum.

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A gente trabalhou muito para formar uma equipe. Equipe é diferente de grupo. A equipe é solidária, envolvente, responsável e leal. A associação conduz os membros desta equipe de uma forma totalmente solidária. É um trabalho integrado, compartilhado, que resgata valores hoje junto aos seres humanos também, de uma forma sempre associativa. Quando a gente vai para o campo com os apicultores é feita uma agenda prévia, se faz a colheita das melgueiras e o mel é levado para nossa unidade de extração. Lá, à tarde é feita a extração do mel. No final do dia as melgueiras retornam para as colmeias. E o mel fica extraído lá na unidade.

            Envolvido com o projeto de apicultura da Epagri, o extensionista rural de Formosa do Sul, município vizinho de Quilombo, Vilmar Franzen, tem divulgado uma nova forma, moderna, de criação de abelhas na qual o objetivo é ter uma produtividade maior. “Isso passa pela renovação dos enxames através da substituição das rainhas, da renovação da cera e da alimentação”, especifica, antevendo um futuro promissor para a economia apícola do Oeste e também de Santa Catarina:

– Com a evolução da apicultura em termos de conhecimento, um novo produtor tem surgido. Ele valoriza o conhecimento técnico e aplica este conhecimento de permitir o aumento da produtividade e a satisfação da produção onde o associativismo tem participação importante.

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Texto: Imara Stallbaum

Fotos: Antonio Carlos Mafalda e Jerônimo do Carmo

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