“Mulher da abelha” ajuda a elevar produção da apicultura catarinense

“Mulher da abelha” ajuda a elevar produção da apicultura catarinense

Categorias: Materia, Mel

Casada, 42 anos, mãe de um casal de filhos, a tecnóloga em Alimentos Cleusa Finco Franzen, de Formosa do Sul, no Oeste de Santa Catarina, a quase 600 quilômetros de Florianópolis, está ajudando a mudar o perfil da apicultura catarinense. “Sou produtora de rainhas”, diz, com uma ponta de orgulho, aquela que é conhecida entre os vizinhos como a “mulher da abelha”.

Cleusa é um dos beneficiários de um programa com o qual desde 2014 a Secretaria Estadual da Agricultura e da Pesca, juntamente com a Epagri vem estimulando e qualificando produtores de mel a selecionarem abelhas rainhas jovens para uso próprio e venda. O trabalho conta com a parceria da Faasc (Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina) e do Sebrae. A seleção se baseia na identificação de características como resistência a pragas e a doenças e comportamento higiênico. A nova rainha é selecionada em meio a procedimentos quase cirúrgicos e durante seu reinado a produção da colmeia pode aumentar em até 200%.

Julsemar Francisco Toazza, apicultor, professor e presidente da AAMQ (Associação dos Apicultores e Meliponicultores de Quilombo), município vizinho de Formosa do Sul, descreve a importância da troca das rainhas maduras.

– Diferentemente da abelha, que vive aproximadamente 42 dias, a rainha vive de três a cinco anos. O problema é que o melhor desempenho, que é medido pela capacidade de colocar ovos, é conseguido em média entre um e dois anos no máximo. E a partir daí o enxame diminui de tamanho e, por consequência, a produção. Por isso a importância de a rainha ser nova, de no máximo dois anos, e selecionada para que o enxame produza o que se espera dele.

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Além de Cleusa, outros cinco apicultores estão capacitados para vender rainhas, o que se constitui num trabalho árduo e extremamente técnico. Segundo Toazza, eles residem em Orleans, Rio do Campo, Joinville, Benedito Novo e Mafra. São seis produtores, três homens e três mulheres.

            Para a moradora de Formosa do Sul, a presença feminina na seleção das rainhas é crescente. E embora sendo a apicultura uma atividade eminentemente masculina, tem a ver com o jeito de ser feminino. O marido dela, o engenheiro agrônomo Vilmar Franzen, extensionista da Epagri no município, bem que tentou seguir os passos da esposa nas horas de folga. Porém, não conseguiu.

– O trabalho é pesado, sim, porque a gente tem que carregar as caixas de mel. Mas nós mulheres temos a mão leve, a delicadeza e a capacidade de identificar as abelhas rainhas no meio das colmeias. Vale a pena inclusive porque com o aumento da produção os apicultores encontram condições de permanecer no campo – festeja a “mulher da abelha”.

Texto: Imara Stallbaum

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