Nome e sobrenome das máscaras: Pandemia no interior

Nome e sobrenome das máscaras: Pandemia no interior

Categoria: Materia, Pandemia

Fotografar em plena quarentena pequenas distâncias como de São Pedro de Alcântara até Angelina. Muito bom! Depois de dias de reclusão em casa, mas não significa dizer: “Mais um dia de trabalho!”. Olhe as paisagens todas do caminho! Não significa nada, a não ser que você encontre um sentido.
Então o que devo dizer da Aninha, de quem não anotei o sobrenome? Do Nilton Mauricio de Oliveira Filho, que anotei o sobrenome? E do que senti no meio do caminho entre Florianópolis e Rancho Queimado? Você gostaria de saber, realmente, essa história do “tatu ladrão de hortas” que o Paulo contou? Das histórias que encontramos “no meio do caminho”, quem quer saber? Mas Mafalda quer saber o que acontece no interior de Santa Catarina em plena pandemia do Covid 19. Como estão reagindo as pessoas no interior?
– Anota filho, anota o nome e o sobrenome. E não esquece a idade!
Ele fala saindo do carro em busca de imagens, ele fala saindo do carro em busca de novas imagens. Você nem sabe qual e onde, ainda nem sabe o porquê. Parece que não faz sentido capturar o instante, o que não diz, e que é puro acontecimento e beleza. Não faz sentido? Aquele sol, aquela nuvem, aquele animal aqui, ali e agora?! Acho que é uma festa fotografar! Vimos juntos uma cena conhecida do interior, um barulho normal, um Tobata subindo uma paisagem/estrada, nada especial a não ser que você viva na cidade grande e nunca tenha andado de Tobata, nunca viu um desfile de cidade pequena. Mas nesse dia, o casal que ali estava com seu trator carregado de pasto usava uma máscara. Sim, o nome e sobrenome: Vanderlei Soares, da linha Barro Branco do município de São Pedro de Alcântara – SC. O que importa é que eles estavam de máscara!

Também dona Maria Pauli, que mostra a máscara no varal e toma distância do pai. Encontramos essa senhora saindo de casa, mas ela não contesta a importância do uso. Com certa estranheza, talvez, observa o fotógrafo que pergunta sobre os cuidados da pandemia. O fotógrafo de máscara, que quer fotografias de máscaras e que não desiste das paisagens do caminho.
É mútuo o reconhecimento e a importância das visitas. Mas do portão, nesse instante, não poderíamos passar. Então as fotos foram capturas da estrada, da janela do carro, através das janelas das casas e das cercas das pastagens. Não havia convites, ou aquele “entre, pode chegar!”. Todos distantes das pessoas da cidade grande. Do fotógrafo de máscara! No caminho, os caminhões de distribuição passavam. Os motoqueiros do Abutre de Palhoça, também em direção a Angelina, ao encontro da Gruta!
Pegamos o mel, queijo e bolacha na casa do campo da dona Zenir Camers Elli de 60 anos. Chegamos em Angelina! Essa eu anotei o nome, sobrenome e a idade. Fomos à praça, bem próximo da Gruta de Angelina. Nesse instante o céu, que está cheio de santos e cruzes, desce na lente do fotógrafo, e um santo iluminado aparece no feixe de luz. Foi depois das fotos da Praça Nicolau Kretzer, onde Vitória, Isabel e Gisele Ramos da Costa, mãe e filhas, aceitaram tirar fotos de máscara.

**Rodrigo Mafalda é filósofo e participou da viagem a convite do fotojornalista Antonio Carlos Mafalda, seu pai.

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