Números da safra animam famílias que vivem da venda de pinhão

Números da safra animam famílias que vivem da venda de pinhão

Categoria: Materia

Araucária carregada de pinha é o que não falta na fazenda onde Bruno Maciel trabalha como capataz há 10 anos, em Painel, o maior produtor da semente do Estado. Desde o dia 1º deste mês, com o início oficial da colheita, o que falta, na verdade, é mão-de-obra para escalar os pinheiros com a ajuda de uma espécie de espora, e, feito um equilibrista de circo, usar uma vara com cerca de quatro metros para desferir pequenos golpes nas pinhas, fazendo-as cair no solo.

O problema levou Maciel, também conhecido como “fenemê” ou “caminhão”, a armar um esquema com Silvionei da Silva Rafael, 29 anos, capataz de uma propriedade vizinha. Num dia, os dois se unem para colher numa fazenda, noutro, a dupla repete a operação na outra. Nesses momentos, Bruninho Souza Maciel, 12 anos, filho de “fenemê”, costuma ser uma espécie de olheiro, ajudando a apontar, lá de baixo, as pinhas maiores. Tem sido assim de domingo a domingo.

Números da safra animam famílias que vivem da venda de pinhão 1

A estimativa da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) é que em 2021 Santa Catarina colha até 60% a mais de pinhão em relação ao ano passado, quando a safra foi considerada insignificante. Apesar da elevação, a produção deverá ser 30% menor do que em períodos de normalidade, ou seja, contra as 800 toneladas computadas em 2020, este ano serão 1.400 toneladas.

Representando as 3 mil famílias que atuam na atividade em Santa Catarina, “Fenemê” já está acostumado com os altos e baixos das safras. Mas este ano festeja o fato de que já tenha pinha sendo vendida a R$ 8,00.

A data do início da colheita foi definida por uma lei aprovada em 2011, com o objetivo de evitar a retirada das sementes ainda verdes e preservando, assim, a espécie. Na prática, e de forma legal, no final de julho e início de agosto, inicia uma segunda colheita das sementes. É quando as pinhas das araucárias que hoje ainda não estão prontas para a colheita vão ao chão.

Texto: Imara Stallbaum

Fotos: Antonio Carlos Mafalda

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